Governo faz cálculo errado e desconto no diesel será menor do que o esperado | Bastidores da Notícia

A promessa de desconto de 46 centavos por litro no diesel não deve chegar às bombas, mesmo após os 10 dias de paralisação dos caminhoneiros. Isso se deve a um erro de cálculo do próprio governo.

Estado de São Paulo vai reduzir os R$ 0,46 do diesel em cima da pauta da fiscal
Estado de São Paulo vai reduzir os R$ 0,46 do diesel em cima da pauta da fiscal. (Foto: Marcelo Casal /Agencia Brasi)

Ao atender as demandas dos caminhoneiros, o Governo ignorou que o combustível deve ter em sua composição o mínimo de 10% de biodiesel. Dessa forma, o desconto máximo na bomba deve ser de 41 centavos.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o presidente do Sincopetro, José A
lberto Paiva Gouveia, confirmou que o governo federal esqueceu de calcular o repasse do biodiesel. Segundo ele, a única exceção deve acontecer no Estado de São Paulo.  “As Companhias Distribuidoras vão repassar realmente o que o governo diminui e nem um centavo a mais. São Paulo mexeu na pauta fiscal, que é o valor que cobra o ICMS do consumidor. Nos outros estados, o que a distribuidora e o governo repassaram foi R$ 0,41 porque realmente esqueceram do biodiesel”, destacou.

O percentual de 10% de mistura de biodiesel no diesel é obrigatório desde o dia 1 de março deste ano. A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A medida visa aumentar a demanda de biodiesel no País, sendo que a expectativa de consumo é de cerca de 5,3 bilhões de litros em 2018, o que reduziria a demanda de importações do óleo diesel.

O biodiesel é mais saudável e renovável do que o diesel. Na época da mudança, a União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), defendeu a elevação da mistura. Para a entidade, a medida ajudou na recuperação da indústria e reafirmou o comprometimento do país para cumprir as metas dos acordos internacionais, que preveem a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Questionado sobre como será aplicada e fiscalizada a política de preços nos postos de combustíveis, o presidente do Sincopetro ressaltou que os donos de postos serão obrigados a informar os valores antigos e atuais já com a redução governamental sobre o diesel. “O controle vai ter que ser constante. Nós trabalhamos num sistema de transmissão automática com o governo do estado. Então, o governo sabe por quanto é vendido o litro de diesel a cada abastecimento. Ele também tinha essa informação no dia 21. Então é fácil ver quem abaixou ou não os R$ 0,46”, concluiu.

De acordo com José Alberto Paiva Gouveia, a situação do abastecimento deve ser normalizada entre terça e quarta-feira da próxima semana, visto que os postos ainda estão trabalhando sem estoques e com venda imediata.

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