'Temos em nossa casa um milagre', diz pai de menina que passou mais 50 dias na UTI | Bastidores da Notícia

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O primeiro Dia dos Pais de Cláudio Scheidegger, de 42 anos, tem um gostinho de milagre. A pequena Isabela, hoje com sete meses, nasceu aos seis meses de gestação e passou mais de 50 dias em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal.

O que para os médicos seria um aborto tardio, se tornou o grande milagre da vida do casal Cláudio e Bruna Carla de Ji-Paraná (RO), cidade situada a cerca de 370 quilômetros de Porto Velho.

Sonho

Juntos desde 2004, Cláudio e Bruna Carla se casaram há nove anos e decidiram que era hora de ter um filho. Mas, depois de dois anos sem êxito, foram ao médico e descobriram que Bruna tinha endometriose. A doença causa um crescimento de um tecido por fora do útero e dificulta a gravidez.

No final do primeiro mês de gestação, Bruna teve complicações. Do segundo ao quinto mês de gestação, a mãe precisou ficar de repouso absoluto. No segundo exame, o casal descobriu o sexo da criança: uma menina. O nome já estava decidido, o bebê iria se chamar Isabela Alves Scheidegger.

Complicações

Mesmo com todo o cuidado, no final do quinto mês, dia 20 de dezembro de 2016, Bruna começou a sentir contrações e foi ao hospital. Cláudio tinha um compromisso muito importante no trabalho e a presença dele era indispensável. Então, pediu para que a irmã que acompanhasse a esposa.

Ao ser examinada, a médica diagnosticou que Bruna já estava com cerca de sete centímetros de dilatação. A mãe precisava ir para uma cidade com UTI neonatal, caso contrário, as chances de um aborto tardio era de 100%.

“O evento acontecia às 18h. Dez minutos antes, minha irmã me ligou e disse que era para eu ir naquele momento para o hospital. Abandonei tudo e fui”, relembra Cláudio.

Quando teve a notícia de que precisavam ir imediatamente para Porto Velho, Cláudio foi em casa para buscar roupas para a Bruna e também para ele.

“Eu peguei as minhas roupas e da Bruna e peguei o bebê conforto que nós já tínhamos comprado. Minha cunhada estava lá e perguntou: 'cunhado, porque você vai levar?' Respondi: Vou levar pois, em nome de Jesus, eu só trago de volta com a minha filha dentro dele", relembra o pai.

No mesmo dia, a família saiu de Ji-Paraná para Porto Velho em uma UTI móvel. Cláudio relembra que o maior medo durante percurso era que a criança nascesse na estrada, assim, as chances de sobrevivência seriam ainda menores.

“Nenhum movimento brusco poderia acontecer, nem mesmo um espirro, caso contrário, a Isabela nasceria. O médico ia com a gente, mas, o que mais nos tranquilizou, foi quando o motorista da ambulância, um homem que eu nunca tinha visto antes, pediu um momento antes de sair e disse que falaria com Deus, para que a viagem fosse tranquila. Aquilo me fez cair em lágrimas, mas, me tranquilizou muito”, contou o pai emocionado.

A família chegou em Porto Velho na madrugada do dia 21 de dezembro. Uma nova médica examinou a mãe e deu o mesmo diagnóstico dado em Ji-Paraná. Segundo a médica, a neném nasceria no mesmo dia e seria um aborto tardio.

“Foi quando dissemos que não, que isso não iria acontecer e que a Bruna ia segurar o neném por mais tempo”, disse Cláudio.
Bruna parou de sentir contrações e mesmo sofrendo com vários tipos de alergias, Cláudio relembra que a esposa não deu nenhum espirro durante quatro semanas.

Nascimento e os dias na UTI

No dia 15 de janeiro deste ano, com 29 semanas de gestação, depois de um pico de pressão alta que Bruna teve, a médica decidiu retirar a criança para evitar maiores complicações. Isabela nasceu com um quilo e 135 gramas e 38 centímetros. Agora, uma nova luta começava pela sobrevivência do bebê prematuro.

O pai relembra três momentos muito críticos quando Isabela teve infecções hospitalares graves e precisou passar por tratamentos com antibióticos. O pai ainda relembra que outros bebês na mesma sala de UTI passaram pelo mesmo problema e não resistiram.

“Na segunda infecção, ela teve uma parada cardiorrespiratória. Ela precisou de massagem pulmonar por oito horas seguidas, que eram feitas por uma enfermeira, pois o peito dela não conseguia fazer a respiração. Esse momento foi muito dramático, pois tivemos muito medo de perdê-la”, conta.

Cláudio conta que se viu em uma das piores sensações que qualquer pai pode ter: impotência para proteger a filha, sentimento vivido durante os 75 dias que a menina ficou internada entre UTI e berçário. Segundo ele, não havia nada que pudesse fazer a não ser confiar nos médicos e que Deus cuidaria de sua filha.

“Era muito dramático. Não podia passar todo tempo dentro da UTI. Tínhamos que confiar que as enfermeiras iam ficar prestando atenção em todos os equipamentos e teria equipe suficiente para atender todos os bebês”, relembra.

Depois de exatos 56 dias na UTI e 19 dias no berçário, com quase 2 quilos, finalmente Isabela recebeu alta. A família permaneceu alguns dias em Porto Velho a pedido dos médicos para eventuais problemas. Mas, depois de 99 dias fora de casa, a família voltou para a cidade onde moram e foram muito bem recebidos.

“Nos primeiros dias, nossas famílias foram muito compreensivas. Isabela não podia ficar exposta. Então, ia um de cada vez para vê-la e quase não saíamos de casa. A imunidade dela ainda era muito baixa”, conta o pai.

Hoje, com mais de sete meses de vida, Isabela tem mais de seis quilos. Mesmo assim, os pais permanecem com alguns cuidados especiais a pedido dos médios. A pequena fez alguns retornos aos médicos e não há nenhuma sequela pela prematuridade extrema.

Primeiro Dia dos Pais

Cláudio explica que a comemoração do primeiro Dia dos Pais é apenas um reflexo dos melhores dias que ele já viveu durante toda a vida dele.
“Eu fui pai aos 42 anos e fui pai no momento certo, pois estes eram os planos de Deus. Por outro lado, penso que estou vivendo os melhores dias da minha vida e não poderia tê-los vivido antes. Ser pai é maravilhoso. É saber que alguém depende única e exclusivamente de você para tudo”, afirma.

Para ele, a responsabilidade e o modo de ver o mundo de quem se torna pai mudam. Ele acredita que ser pai é a maior experiência humana que Deus reservou para o homem. “É muita responsabilidade, mas é fantástico ver o desenvolvimento, crescimento da nossa filha”, afirma.

Segundo Cláudio, para ele, esta experiência se tornou ainda mais extraordinária por causa da luta pela vida da filha.

“Nós temos em nossa casa um milagre, uma pessoa que, segundo os médicos, seria um aborto tardio e que não teria a menor chance de sobrevivência. No entanto, contrariando toda a expectativa médica, hoje ela está viva e perfeita. E com um futuro brilhante pela frente”, finaliza o pai feliz. (G1/RO)

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