Delegada não teme pressão ou retaliação do MP e do Governo ao investigar "grampolândia pantaneira" | Bastidores da Notícia

“Faz parte do trabalho”. Assim resume a delegada Ana Cristina Feldner, escolhida como titular das investigações da “Grampolândia Pantaneira”, em substituição ao delegado Flávio Stringueta, ao ser questionada se teme pressões do Ministério Público ou retaliações do Governo do Estado, duas instituições envolvidas no caso.


“Faz parte do nosso trabalho. Faz parte de trabalhos complexos. Faz parte de trabalhos que podem incomodar e faz parte da vida de um delegado de polícia”, afirmou a delegada, em entrevista a rádio Capital FM, na manhã desta segunda-feira (31). Ela foi anunciada na sexta-feira (28) como a escolhida pelo desembargador Orlando Perri para substituir Stringueta neste caso. Ele precisou se afastar das funções por fazer um tratamento de saúde.

Delegada não teme pressão ou retaliação do MP e do Governo ao investigar


Primeiro, ela foi questionada sobre pressões do Ministério Público. O procurador-geral Mauro Curvo chegou a enviar um ofício a Flávio Stringueta no qual afirmava que o delegado poderia ser processado por usurpação de função e improbidade administrativa no caso de seguir as investigações contra membros do Ministério Público. De acordo com o Curvo, isso é competência do próprio MP.

“A gente sabe que é um caso muito complexo, onde haverá muitas pressões. Já tenho esse conhecimento. Não me intimida nenhum tipo de pressão. Faz parte do trabalho. Quando você escolhe ser um delegado de polícia, você tem que saber que vai lidar com situações de pressão”, respondeu a delegada.

Em seguida, foi perguntada sobre possíveis retaliações por parte da gestão do governador Pedro Taques (PSDB). Estão presos o ex-secretário da Casa Militar coronel da PM Evandro Lesco, bem como o ex-adjunto da Casa Militar coronel da PM Ronelson Barros, além do ex-comandante-geral da PM coronel Zaqueu Barbosa, todos tidos em alta conta pelo Governo, além do cabo da PM Gerson Luiz Ferreira Correa Júnior, que também era lotado na Casa Militar. Lesco e Barros foram mantidos no cargo até semana passada, mesmo após a prisão, tendo sido exonerados somente após o MP oferecer denúncia contra eles.

Além disso, o secretário de Estado de Segurança, Roger Jarbas, havia afirmado que não via com bons olhos a transferência de qualquer delegado para o lugar de Stringueta para não prejudicar o andamento dos trabalhos em outras delegacias. A delegada Ana Cristina Feldner não polemizou as declarações de Rogers, mas também disse estar preparada para retaliações políticas.

“Não conversei com o secretário. Não fui convocada por ele por qualquer tipo de conversa. Sei que teve o aval da diretoria, que avalizou. Não é uma indicação feita à revelia da Polícia Civil. O cargo de secretário de Segurança Pública é um cargo político. Se tiver uma consequência política, faz parte do nosso trabalho também”, afirmou Ana Cristina. “Não temo represália de um cargo político. E eu quero acreditar primeiramente que todos políticos envolvidos querem as investigações apuradas, a fundo, a verdade esclarecida. Em segundo momento, caso exista [represálias], faz parte”, completou.

A delegada vai trabalhar junto do delegado Fabiano Pitoscia. Ela não o conhece e a indicação dele não partiu do desembargador Orlando Perri, mas sim da diretoria da Polícia Civil. “Será de grande ajuda”, resumiu.

Ainda na tarde desta segunda, ela deve se reunir com Stringueta para tomar pé dos andamentos das investigações e começar a decidir os próximos passos. Por enquanto, a delegada afirma ter o mesmo conhecimento do caso que a população geral, pelos noticiários, mas já adianta que provavelmente seguirá a mesma linha do Flávio Stringueta, com quem já trabalhou no Grupo de Combate ao Crime Organizado.

Há 10 anos na Polícia Civil, Ana Cristina Feldner começou os trabalhos em 2007 na Delegacia Roubos e Furtos, depois passou pelo GCCO, foi titular da Delegacia do Consumidor por três anos, instalou a Delegacia do Turista na época da Copa e agora estava como adjunta da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa.  Com informações site Olha direto
 
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