Pai de menino que morreu esperando vaga hospitalar diz: estado tem culpa | Bastidores da Notícia


 

"O Poder Público precisa ser mais humano. O estado tem culpa pela morte dele". O tom imperativo das palavras é do autônomo Jacieldo Mourão, de 28 anos, que há 20 dias perdeu o filho para uma doença grave e rara, em Porto Velho. Depois de mais de três meses em busca de atendimento médico especializado fora do estado, Josué Mourão, que estava com a síndrome hemofagocítica, morreu antes de conseguir transferência para outro hospital, mesmo com uma decisão judicial.

Em entrevista ao G1, o pai do menino acredita que houve negligência por parte do poder público e que o estado deve ser responsabilizado pela morte do filho dele. Segundo Jacieldo Mourão, o menino foi diagnosticado com síndrome hemofagocítica após ter febre alta, há cerca de 3 meses.

"Meu filho teve muita febre. O levei a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois ao Hospital de Base, em Porto Velho. Lá, foi constatado que ele estava com as plaquetas muito baixas e teve que ficar internado por quase três meses", relembra Jacieldo.
Jacieldo diz que os médicos foram muito atenciosos, mas acusa a Hematologia de ter abandonado o filho, Josué Mourão. "O pessoal da oncologia foi quem segurou a onda e tentou estabilizar a febre. Falta humanidade em alguns setores e o Poder Público precisa ser mais humano. Eles têm culpa", afirma.

A decisão judicial que  obrigava o estado de Rondônia, a prefeitura de Porto Velho e União providenciar a remoção da criança para tratamento em outro estado só saiu no dia da morte da criança, em 16 de novembro.

Por telefone, a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) explicou que não houve negligência, mas faltou vaga nos hospitais fora de Rondônia que poderiam receber o pequeno Josué.

A vaga mais provável só seria possível para o dia 22 de novembro, quatro dias após a morte da criança.

"Ninguém pode pegar uma criança, botar numa UTI aérea e ficar sobrevoando o Brasil procurando um hospital para ficar. Na sexta-feira, 11 de novembro, a Secretaria de Saúde tentou fazer contato com hospitais em Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba para conseguir uma vaga, mas a única vaga que conseguiram foi em São Paulo, para o dia 22 de novembro”, informou a Sesau.

No dia 16 de novembro, dia em que a criança faleceu, a Sesau diz que estava acertando detalhes para mandar o menino para Manaus. "Havia uma ordem judicial a ser cumprida, mas não havia vaga nos hospitais, ou seja, a ordem judicial tinha que valer também para os estado onde existem os hospitais, para que fosse criada uma vaga.

O transporte, que dependia de Rondônia, já estava tudo pronto”, diz a Sesau.
À reportagem, a assessoria da Secretaria Municipal de Sáude (Semusa) informou que o município de Porto Velho não foi notificado sobre a ordem judicial, e que, por se tratar de um procedimento de alta complexidade, o caso não era de competência do município.
Justiça.

O advogado Juacy Loura Júnior, que é amigo dos pais do menino Josué, e que estava acompanhando o caso, disse que a criança teve o quadro de saúde agravado devida à falta de atendimento especializado e atribuiu a morte dele à burocracia.
"A administração pública, mesmo com Ordem Judicial determinando a remoção do bebê para tratamento em outro Estado, não tomou as providências em tempo hábil e o caso acabou da pior forma possível”, explicou. Segundo o advogado, uma ação deve ser ajuizada nos próximos dias para que o estado seja responsabilizado pelo não cumprimento da determinação judicial.


Fonte: http://g1.globo.com/ro 
 
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