Consórcio assina memorando sobre a UHE Guajará-Mirim | Bastidores da Notícia

A Eletrobrás e o consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), que opera a hidrelétrica de Jirau Rondônia, no rio Madeira, assinaram memorando de estudos da UHE Guajará-Mirim, na divisa com a Bolívia, de 3 mil MW e investimento estimado em R$ 15 bilhões.


Uma usina de R$ 15 bilhões em Guajará-Mirim
(Foto: Divulgação/Reprodução)

Esses estudos que poderão ser concluídos em 18 meses, darão suporte à estatal e sua parceira boliviana Ende, para estruturar o leilão do projeto binacional, nos moldes do Itaipu Binacional.

A hidrelétrica cria ainda uma malha hidroviária de 4.200 km navegáveis e vai estabilizar o reservatório de Jirau, adicionando 280 MW médios de geração. O grupo franco-belga Engie, maior investidor privado em geração elétrica no País, controla o consórcio ESBR.


O anúncio da reunião entre representantes da Bolívia e Brasil com a proposta de discutir a construção de uma nova usina em Rondônia.


O anúncio da reunião entre representantes da Bolívia e Brasil com a proposta de discutir a construção de uma nova usina em Rondônia, anima o mercado econômico dos dois países, mas coloca em discussão problemas sociais ocasionados em território brasileiro. 


É claro que tudo está em fase de discussão, mas o que existe de concreto, segundo reportagem publicada na edição de quinta-feira do jornal Valor Econômico, e reproduzida por este Diário, é que o investimento deve custar algo em torno de R$ 15 bilhões.


De acordo com reportagem publicada pela Agência Brasil, o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), em parceria com a Eletrobras e a Empresa Nacional de Eletricidade da Bolívia (Ende) , lançou uma licitação pública internacional para estudos de inventário hidrelétrico binacional em parte da Bacia do Rio Madeira e nos principais afluentes em territórios brasileiro e boliviano.


A Eletrobras informou que o serviço a ser contratado para os estudos do inventário consideram os trechos binacionais dos rios Mamoré, Guaporé/Itenez e Abunã, além de parte do rio Beni, na Bolívia. Será avaliado o potencial hidrelétrico após a identificação da melhor alternativa de aproveitamento hidrelétrico ao menor custo, com o mínimo de impactos socioambientais e retornos socioeconômicos. Essas exigências estão incluídas no termo de referência que será disponibilizado aos interessados na licitação.


Mas a única certeza desse empreendimento é o local. Será na região de Guajará-Mirim, um município onde os problemas na área de saúde, educação e infraestrutura são bem parecidos com Altamira, no Pará. A região foi impactada com a construção da usina de Belo Monte, cujo investimento trouxe uma série de problemas econômicos para a cidade. Um deles, é a falta de saneamento básico.


Ontem, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu a licença de operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, após acatar recurso do Ministério Público Federal no Estado (MPF-PA). A suspensão aconteceu justamente pelo fato de a Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, não realizar obras de saneamento básico na cidade de Altamira, uma das condicionantes do empreendimento.


Em Rondônia, caso o empreendimento realmente avance, os governos terão sérios problemas bem parecido com os enfrentados hoje na região de Altamira. Os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré e os distritos de Nova Mutum e Jacy-Paraná, não têm estrutura para receber uma obra desse porte. Será necessário ajustar os empreendimentos bem antes da fase inicial das obras, caso contrário, teremos mais problemas na área da saúde.
 
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